quinta-feira, 22 de dezembro de 2005

UM BOM NATAL E UM FELIZ 2006 PARA TODOS

Quando eu era criança, no dia de Natal, comentava com os outros meninos e meninas de Negrelos as prendas que na noite anterior o Menino Jesus nos havia colocado no sapatinho. O que achava estranho era que Jesus desse melhores prendas aos mais ricos e piores aos mais pobres. Algo estava errado, pois contradizia tudo o que aprendia na catequese.
Ainda criança, quando soube que o Pai Natal era uma invenção comercial, quase sempre alheia ao verdadeiro espírito natalício, e que não era o Menino Jesus que colocava as prendas nos sapatinhos, percebi tudo. Coitado de Jesus, que era visto como injusto relativamente aos pobres! Logo Ele, que viveu e morreu pregado numa cruz para resgatar os pecados da humanidade, mas também pela Justiça que hoje apelidamos de social, simultaneamente humana e divina!

*
Há uma melodia de Natal que diz "nesta noite de Natal/há em todos os países/muitos milhões de meninos felizes".
Tal parte da canção diz apenas meia verdade. De facto, há muitos milhões de meninos e meninas felizes em todo o planeta. Em Negrelos, as crianças actuais têm uma vida melhor e acesso a brinquedos que não teve a minha geração, já para não falar das gerações dos nossos pais e avós, quando muitas crianças iam para a escola (as que iam) descalças, no Inverno, chegando ao ponto de urinar em buracos para depois aí aquecerem os pés. Era a outra face da moeda do país das barras de ouro, que não devia nada a ninguém. E ainda há quem (algumas vozes isoladas) diga que deveria voltar outro Salazar. Se passassem por situações dessas, dividissem, nas refeições comidas nas suas casas, uma sardinha por quatro pessoas, não tivessem água canalizada ou luz eléctrica nas suas residências, nem acessos por estradas às suas terras, vissem apenas os ricos e pouca gente da classe média ir além da instrução primária, como se dizia na altura, será que também assim pensariam? Bem, num país livre e democrático, não só os inimigos da liberdade têm direito à palavra, como a ignorância e o obscurantismo também são livres. Até nisso os que acreditam na liberdade, na democracia e nos direitos humanos mostram a sua superioridade moral.
Voltando à canção natalícia em causa. Também há em todo o mundo muitos milhões de crianças famintas, espancadas, doentes e vítimas de psicopatas pedófilos. Essas não vivem felizes.
Comemorar o Natal não é só trocar presentes entre familiares e amigos, ir à missa ou rezar umas orações, embora tal seja importante para os cristãos, mas também preocupar-se com aquelas crianças e os adultos que igualmente passam fome, estão presos, doentes, não têm emprego ou uma habitação condigna. É nesse sentido, aliás, que têm alertado todos os anos as mensagens natalícias dos papas, cardeais, bispos, sacerdotes e responsáveis por outras religiões cristãs.
O combate às situações degradantes da condição humana atrás mencionadas é responsabilidade dos que acreditam em Cristo, mas também dos políticos (crentes ou não) e da sociedade civil.
Quando a globalização se impõe, não deixando outra alternativa mais eficaz, e o capitalismo, enquanto sistema económico, se tornou vencedor, o grande desafio que se lhes coloca é o seguinte: vão diminuir ou agravar as desigualdades sociais entre os povos e dentro de cada país? Vão, como dizia o "pai" do liberalismo económico, Adam Smith, criar uma rede social abaixo da qual ninguém caia, assegurando a interligação entre a globalização económica e a globalização social defendida por João PauloII?
Nesta época e nos restantes dias do ano, reflitamos sobre estas realidades e procuremos a construção de um mundo mais justo.
A todos um Bom Natal e um Feliz 2006.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2005

O meu balanço desportivo - Jornada 7

Foi ultrapassada a derrota da jornada anterior. E de que forma!
A equipa feminina da U.E. venceu o CRASTO por 4-0. Foi sem dúvida a melhor forma de esquecer a derrapagem ante o Fiais. Fizemos um grande jogo tacticamente, onde foram precisos 5 minutos iniciais de habituação, já que o CRASTO se apresentou com uma linha táctica definida, o que nos surpreendeu. Depois desse desnorte, e após correcção táctica defensiva, mostrámos ser merecedores da vitória, na minha opinião. Quem foi ao Pav. Minicipal pode ver um bom jogo de futsal com as duas melhores equipas do nosso campeonato. Resta-me portanto agradecer a quem de deslocou ao mesmo para nos apoiar.
Quero também deixar aqui um elogio às minhas atletas, pois mostraram que têm aprendido, interiorizado e aplicado. Isso, juntamente com uma motivação igualmente de realçar, valeu-lhes uma vitória muito importante ante um candidato ao título.
A próxima jornada será a 7 de Janeiro e iremos defrontar a Académica de Viseu. De realçar o encontro entre o CRASTO e o Fiais nessa mesma jornada em Castro Daire. O resultado deste jogo será importante para nós.
Quanto à equipa masculina da U.E., venceram facilmente por 12-2 o Britamontes e continuam na perseguição aos líderes. Na próxima jornada, também a 7 de Janeiro, recebem o Oliveira de Frades para mais um importante derby. Compareçam!

sábado, 17 de dezembro de 2005

6 Horas Invernal da Guarda em BTT



Os Gingas BTT depois de já terem participado em inúmeros inventos, foram pela 1ª vez participar a sério numa competição.
É de salientar que não correu nada mal, pois o nosso conterrâneo Zé Miguel ficou em 3º lugar depois de 6 horas de longa luta com o 2º classificado, um atleta de Mortágua (o que lhe valeu largos elogios por parte desse atleta semi-profissional). Quanto ao Júlio Jorge, ficou em 14º (a meio da tabela), pois a prova não lhe correu de feição, talvez devido à falta de experiência. Mas, com 19 anitos, ainda tem muito tempo para a ganhar.
Quanto à contratação de última hora, o Marcelino Almeida de Vila Maior, também lhe correu muito bem a prova, pois ficou em 3º também (a contar do fim, 25º), depois de uma missão ultra secreta numa Associação "rival" à ACRN.
Muitos parabéns e força para novas pedaladas!

quarta-feira, 14 de dezembro de 2005

O que queres para o Natal, meu menino?

Nesta época tão jovial e carregada de simbolismo, temos através deste post uma nova oportunidade de ser crianças e fazer um pedido ao Pai Natal. Por isso, desafio todas as "crianças" a registarem o que mais desejariam para Negrelos para o próximo ano. Sejam audazes e peçam o que realmente querem! Não se esqueçam que é para Negrelos e não para vocês! E pode ser que o Pai Natal (ou as pessoas competentes) os leiam e, quem sabe, talvez se concretizem!!!! Eu vou começar...

terça-feira, 13 de dezembro de 2005

PARA QUANDO UM NOVO PT DE ELECTRICIDADE EM NEGRELOS?

No passado domingo, dia 11 de Dezembro, mais uma vez falhou a luz eléctrica na maior parte da aldeia de Negrelos, desde pouco depois das 21 horas e até quase à meia-noite.
Os trabalhadores que se deslocaram à cabine transformadora tiveram grande dificuldade em reparar a avaria, devido ao facto de o actual PT estar muito velho e desgastado.
Já por várias vezes surgiram situações idênticas. Quando se digna a EDP colocar na dita cabine um novo PT? O aumento do preço da electricidade após o próximo mês de Janeiro não é suficiente para tal?

Manuel Silva

segunda-feira, 12 de dezembro de 2005

O meu balanço desportivo - Jornada 6

Estávamos sujeitos e aconteceu. Perdemos pela 1a vez neste compeonato.
Perdemos a liderança do Campeonato Feminino do Distrital de Viseu com a derrota por 2-1 no pavilhão do Fiais da Telha. Sabíamos que a 1a derrota poderia acontecer e ela chegou. Nada está perdido, contudo, mas foi a hipótese de ganharmos avanço a uma das equipas candidatas. Foi um mau jogo de futsal, sinceramente, onde ganhou quem errou menos. Tudo foi mau, desde as equipas que se defrontaram até ao árbitro da partida. Mas não foi ele o culpado, pois da forma como estamos a treinar e tendo em linha de conta os nossos jogos até aqui, nada levava a crer na fraca exibição demonstrada, em que todo os sistema táctico foi esquecido. Onde poderia estar a nossa vantagem, acabou por estar a nossa derrota.
Estamos agora a 4 pontos do Fiais, mas com menos um jogo. Temos de continuar o nosso campeonato em busca da melhor classificação possível. No próximo sábado, dia 17 de Dezembro, pelas 19h no Pavilhão Municipal de S. Pedro do Sul, mais um importante jogo com a outra candidata ao título distrital: o Crasto. Deixo desde já o convite aos cibernautas para se deslocarem ao Pavilhão neste importante jogo.
Quanto ao escalão sénior masculino, foi a vez de folgarem. De realçar a vitória do Arguedeira, bem como a desistência a meio do jogo por parte do S. Martinho de Mouros ante o Oliveira de Frades. Este facto traduz um pequeno avanço na classificação dos vitoriosos, nada que o Estação não seja capaz de recuperar, acreditamos.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2005

HÁ 25 ANOS, ERA ASSASSINADO JOHN LENNON




Há 25 anos, um psicopata admirador do ex-Beatle John Lennon, após lhe ter pedido um autógrafo, assassinou-o a tiro.
Aquando da sua morte, Lennon tinha apenas 40 anos. Foi um ícone dos anos 60, como o foram também na música pop-rock os seus companheiros dos Beatles, os Rolling Stones, os Doors, Joan Baez, Bob Dylan, Jimmy Andrix, Jennis Joplin, os Procol Harum, mesmo os Pink Floyd, ainda no final daquela década, e tantos outros.
Se houve grupo que se distinguiu naquela área musical foram os Beatles, os quais influenciaram a forma de vestir ou o penteado dos rapazes da época, bem como puseram em transe muitas jovens admiradoras.
Lennon e os seus companheiros foram idolatrados por milhões de jovens no mundo inteiro. Essa idolatria só teve comparação, naquela época, com a veneração juvenil e intelectual pelo psicopata Mao Tsé Tung (leia-se a sua biografia recentemente publicada por uma historiadora ex-guarda vermelha, com a ajuda do seu marido, e observe-se a personalidade do indivíduo). Antes que alguém mo recorde na caixa de comentários, eu ainda não esqueci que também segui Mao, mas cortei com a sua "herança" há 20 anos.
Voltando aos Beatles, que contrariamente ao "grande timoneiro" deixaram o seu nome na História por boas razões, operaram uma importante revolução na música e, no sentido mais lato, na cultura, que mudou comportamentos e deu um grande contributo para que as sociedades ocidentais, mesmo as mais democráticas, abandonassem um certo conservadorismo social e hipocrisia moral.
A terminar, recordamos alguns dos êxitos que tornaram os Beatles famosos: "All you need is love", "Yesterday", "We all live in a Yellow submarine", "Girls", "Don't let me down", "Lucy in the sky with diamonds". Há ainda muitos mais.

Manuel Silva

segunda-feira, 5 de dezembro de 2005

ACRN - a sua opinião, vamos comentar, assinando



Pegando num post aqui brevemente editado, e com alguma polémica (como não pode deixar de ser) em relação ao futuro do Carnaval de Negrelos, lanço aqui um novo repto:
"Qual o futuro da Associação Cultural e Recreativa de Negrelos?".
Sei que é um assunto que já muito se falou aqui pelo blog, mas acho que o filme que temos visto nestes anos não merece este enredo.
Penso ser um assunto sobre todos nós e não queiramos que acabe por cair no esquecimento e no marasmo.
Há tantas ideias para elevar o bom-nome desta nossa aldeia, Negrelos…

domingo, 4 de dezembro de 2005

FALECEU UMA DAS MAIORES GLÓRIAS DE SEMPRE DO FUTEBOL MUNDIAL


George Best foi uma das maiores glórias de todos os tempos do futebol mundial. Na minha infância e já na adolescência, foi um dos meus ídolos do desporto-rei. Aliás, foi uma referência para a minha geração.
Mais que um génio, ele era um mágico do futebol. Os seus dribles, que punham a cabeça "em água" a qualquer defesa, a colocação certeira de bola, os remates e os golos (muitos) que apontou, tornaram-no, a par de Pelé, Eusébio, Muller, Bekenbauer, Bobby Charlton, Garrincha, Gordon Banks, Yashin, e tantos outros, numa lenda do futebol dos anos 60 e princípios de 70.
A mais triste recordação que dele tenho data de Maio de 1968 (nada tem a ver com a revolta francesa do mesmo ano) quando, ao serviço do Manchester United, foi o carrasco do meu clube, o Benfica, na final da Taça dos Campeões Europeus, em Wembley. A partida terminou com um empate (1-1). No prolongamento, o Manchester marcaria mais 3 golos sem resposta. Best foi fundamental na obtenção do resultado.
George Best nasceu, há 59 anos, num bairro pobre de Belfast, capital da Irlanda do Norte - viviam-se os tempos duros do pós-guerra. Bem jovem, começou a trabalhar como tipógrafo. No entanto, revelaria arte para o futebol, tendo sido contratado para o Manchester United com apenas 14 anos, onde fez a maior parte da sua carreira.
Já naquele tempo ganhou muito dinheiro, que esbanjaria com mulheres, álcool e carros, como o próprio afirmou. Aos 27 ou 28 anos, a sua carreira estava praticamente terminada, devido a problemas com o alcoolismo e indisciplina que levaram ao seu afastamento do Manchester. Posteriormente, jogou em diversos clubes, mas não voltou a ser o mesmo a quem chamaram o quinto Beatle.
Abandonada a carreira futebolística, continuou para pior o mesmo tipo de vida, tendo passado por dificuldades financeiras, morrendo, recentemente, em consequência de graves problemas no fígado que, alías, tinha sido transplantado há alguns anos.
Best foi criado pobre, enriqueceu quando chegou ao estrelato e acabou mal. Não foi caso único no futebol. O mesmo aconteceu com o brasileiro Garrincha, o argentino Maradona, os nossos Vitor Batista e Yaúca, e quase aconteceu com o alemão Muller, não fosse o seu colega e amigo de sempre, Beckenbauer, ter-lhe "deitado a mão" quando era presidente do Bayern de Munique, arranjando-lhe um emprego no estádio do clube.
Os clubes onde passam estes craques não terão algumas culpas no cartório? Quando os vêem destruir quanto ganham, não os orientam para o futuro pós-carreira? Ou tal não constitui preocupação sua, pois quando já não derem lucro deixam-se cair?
O funeral de George Best teve justas honras de Estado, sendo acompanhado por cerca de meio milhão de pessoas, entre as quais se contaram inúmeros ex-colegas e ex-adversários seus.
Num tempo em que o futebol se está a tornar uma negociata muitas vezes obscura, em que alguns dos seus dirigentes não são as pessoas mais recomendáveis, acabando, por vezes, como arguidos em processos crime e mesmo na cadeia, em que há fundadas suspeitas de este desporto também estar a ser utilizado para lavagem de dinheiro proveniente do mundo do crime, saudamos aquele que chegou também a ser apelidado de "Mozart da bola", o qual nos marcou com a sua arte e via o futebol como uma actividade decente, respeitando e sendo respeitado pelos adversários, o que se pode constatar pelas palavras proferidas por Eusébio ou Simões aquando do seu passamento.

terça-feira, 29 de novembro de 2005

SUBSCRIÇÃO PARA IDIOMA PORTUGUÊS NA ONU

Encontra-se em subscrição uma petição que tem por objectivo tornar oficial o idioma português na ONU, à semelhança do que já sucede com o Árabe, Chinês, Espanhol, Francês, Inglês e Russo. Enquanto português e herdeiro de um legado linguístico e cultural com quase nove séculos de existência, que ao longo da sua história teve o condão de espalhar-se pelos vários cantos do Mundo, creio que esta é uma iniciativa merecedora da atenção de todos nós: <http://www.petitiononline.com/AB5555/petition.html>

segunda-feira, 28 de novembro de 2005

O meu balanço desportivo - Folga

Neste fim-de-semana, e pelo facto do Campeonato Distrital Feminino de Futsal ser constituído por 9 equipas, foi a nossa vez de folgar. No próximo fim-de-semana o campeonato feminino faz uma pausa.
Quanto aos Séniores Masculinos, defrontaram em casa o Arguedeira num grande jogo de futsal. Qualquer equipa poderia ter saído vencedora. No entanto, face a alguns erros da equipa dos Unidos, foi vitosioso o Arguedeira por 7-4.

sexta-feira, 25 de novembro de 2005

A NECESSÁRIA REFORMA DO MODELO SOCIAL EUROPEU

Li atentamente e com prazer, como sempre, o último artigo publicado no NEGRELOS ON LINE pelo meu amigo JCOM. Estou de acordo com o que diz acerca da inflexibilidade dos sindicatos. Aliás, muitos sindicatos, no nosso e em outros países, continuam a ver o trabalho sindical pela cartilha marxista, da luta de classes. Daí que, de um modo geral, nas nações europeias, metade dos trabalhadores não sejam sindicalizados. Tal cartilha nada lhes diz, pois o por Marx chamado proletariado é quase inexistente e as classes médias maioritárias, incluindo-se nas mesmas inúmeros trabalhadores, especialmente operários, ao contrário das previsões do mesmo Marx e de Engels, no séc XIX (leia-se o Manifesto do Partido Comunista, daqueles dois autores, escrito em 1848, e comparem-se as previsões aí manifestadas com a evolução da sociedade). Para ousarmos enriquecer, receber melhores salários e pensões e sair da cauda da Europa, há que: aumentar a produtividade e a competitividade das empresas, apostar na qualidade do ensino, na formação profissional dos trabalhadores, na qualidade dos produtos e nas novas tecnologias, baixar os impostos, quer para investidores, quer para funcionários, para atrair capitais, na era da globalização. A experiência prova que é do factor capital, regulado pelo Estado de Direito Democrático, que melhora o factor trabalho. O resto é mera conversa utópica que só tem prejudicado os mais desfavorecidos da sociedade. Para pôr em prática tais políticas, dada a necessidade de cumprimento do PEC, é urgente reformar o modelo social europeu. O Estado-Providência, como foi concebido a seguir à II guerra mundial, está em crise, devido a factores como a baixa natalidade ou o envelhecimento da população. O Estado-Providência actual, aliás, beneficia mais quem não precisa que os mais pobres. As funções essenciais do Estado deverão ser as seguintes: assegurar o cumprimento da lei e da ordem pública, a defesa do território nacional, ter um carácter meramente supletivo na economia e, no plano social, fazer apenas o que não possa ser assegurado pelos privados, especialmente o voluntariado social. A saúde e a educação superior só deverão ser gratuitas ou tendencialmente gratuitas para quem não pode suportar os seus custos. Quem pode deverá pagar uma parte daqueles - o que, aliás, já acontece com o ensino superior, através das propinas - ou, no caso da saúde, fazer seguros que garantam o acesso dos seus subscritores à mesma. Num país pobre como o nosso, naturalmente que as seguradoras não estarão na disposição de pagar reformas pequenas. Até um determinado plafond (o actual, seis salários mínimos, penso ainda ser elevado, podendo, a prazo, baixar para os 4 ou 5 salários mínimos), os trabalhadores e empresários deverão descontar obrigatoriamente para a segurança social pública. A partir daí, os descontos deverão continuar a funcionar em regime de capitalização pública ou privada, mas há que dar incentivos fiscais aos cidadãos que optem pela última daquelas modalidades. Se estas medidas não forem tomadas, os impostos não baixarão, a economia não crescerá e não poderemos ver melhorar os nossos rendimentos. É preferível para as pessoas que podem, pagar as despesas nos termos acima ditos com a saúde ou o ensino dos filhos - não andam todos os dias no médico, nem têm toda a vida descendentes nas universidades - e pagar menos impostos, o que, por sua vez, originando maior crescimento económico lhes permitirá viver melhor que hoje, com serviços de fraca qualidade e impostos elevados, duplamente penalizadores dos trabalhadores. Por um lado, porque lhes saem do bolso. Por outro lado, porque afastam investimentos, aumentando o desemprego e empobrecendo os próprios empregados, que vêem o seu poder de compra cair. Se tais medidas não forem tomadas, continuaremos pobretes, mas pouco alegretes, pois é já visível uma certa depressão colectiva. O mesmo se pode dizer pela UE. Se não reformar o seu modelo social naqueles termos, não cumprirá nunca a Agenda de Lisboa e atrasar-se-á cada vez mais relativamente aos EUA ou ao Japão. Se há políticos visionários e com coragem para mudar de agulha, eis a questão.

PS: como podem ver os que me apoiam e os que me criticam em outros blogues, não deixei a blogosfera sampedrense. Aqui, sinto-me bem, num ambiente de camaradagem e pluralismo de ideias, onde todos assinamos o nome por baixo dos nossos escritos.

Carnaval de Negrelos - Vamos comentar, assinando

Julgo ser este um bom tema para finalmente extravazarmos a nossa opinião relativamente ao futuro do Carnaval de Negrelos. Lanço, por isso, um desafio a quem conhece de perto o Carnaval de Negrelos, mas também a quem quiser deixar-nos a sua visão, e deixar aqui a sua opinião quanto ao presente e futuro deste nosso evento anual. E mais, opine sobre o que deveria ser o Carnaval de Negrelos do futuro, em que moldes julga que ele deveria funcionar/apresentar-se.
Vamos tentar ajudar o evento debatendo, idealizando e opinando com uma cara (leia-se: assinando).

domingo, 20 de novembro de 2005

O meu balanço desportivo - Jornada 5

Novamente uma jornada próspera para os Unidos da Estação.
Desta vez duas goleadas dos escalões séniores. O Feminino ganhou 7-0 ao Benfica de Mortágua e o Masculino cilindrou o Ribeiradio por 15-0. Parabéns!! Estes resultados continuam a dar-nos as lideranças dos respectivos campeonatos distritais.
No que diz respeito ao meu jogo, boa vitória ante o Mortágua, que nos criou algumas dificuldades na 1a parte. Serenamente, fomos capazes de criar boas jogadas e a disposição táctica tem vindo a melhorar, dando claramente mais confiança. Assim, foi com naturalidade o evoluir do marcador. Contudo, ainda falhamos muito na finalização. Mas também neste capítulo estamos a evidenciar alguma evolução. De realçar o desempenho das jogadoras que estão a revelar motivação e rigor no desempenho táctico, ainda que com algumas falhas naturais para quem está ainda no início de época.
Avizinham-se agora dois embates difíceis com as actuais 2a e 3a classificadas, Fiais da Telha e Crasto, respectivamente. Mas ainda temos 2 semanas antes do jogo com o Fiais fora de casa. No próximo fim-de-semana folgamos e no seguinte não haverá jogos. Estaremos de certeza preparados.
Queria deixar escrito, como nota, que tenho estado surpreendido com a qualidade dos árbitros que tenho encontrado nos meus jogos e nos que fui assistir, isto do campeonato feminino. Têm estado à altura e têm demonstrado saber estar. Deixo este meu cumprimento aos árbitros nesta fase não tão positiva da arbitragem da Assoc. Fut. Viseu, pois não são muitos e os jogos são a mais. Não liguem ao que treinadores inexperientes e sem conhecimento proferem ou registam em certas publicações, que, em vez de dignificarem a modalidade e eles próprios, os condenam.
Como última nota, os Séniores Masculinos jogam no próximo sábado, pelas 18h no Pav. Municipal de S. Pedro do Sul, contra a equipa do Arguedeira. Mais um importante e excelente jogo em perspectiva. Comparece!!

sábado, 19 de novembro de 2005

MÃO-DE-OBRA E INTELIGÊNCIA BARATA

Todos nós queremos ganhar cada vez mais. É lógico que assim pensemos, por uma questão de pretensão de uma melhor qualidade de vida, nomeadamente se nos incluirmos no grupo daquelas que pensam que uma melhor qualidade devida é ter, por exemplo, um carro melhor que o do vizinho. Por exemplo, se perguntarmos a um sueco o que é ter qualidade de vida, provavelmente ele responderá que é ter uma boa qualidade do ar. Mais deixemos isto por agora, e voltemos ao assunto do ganhar mais, pois nós somos o que somos. Neste momento, nós passamos por uma crise. Mas o que é isso da crise?
É baixo crescimento, senão nulo, do PIB? É a alta taxa de desemprego? Por ventura, será isso tudo, até mesmo uma crise cultural. Mas o que me faz escrever estas linhas, é a posição dos sindicatos. Nada me opõe a eles, pois até defendo acerrimamente a sua existência, pois são vitais numa democracia. O que eu questiono, é a sua inflexibilidade nos tempos que correm. Sabem caros conterrâneos, Portugal encontra-se numa fase terrível. Porquê? Porque estamos a meio no ciclo de internacionalização do produto. O que é que isto quer dizer? É que, por um lado, não temos uma mão-de-obra barata, como tínhamos na década de oitenta, mas, por outro lado, porque não dominamos em termos tecnológicos. Ou seja, os países do oriente são mais competitivos que nós, tendo em conta o baixo custo do labor, e os países do ocidente são mais competitivos, porque dominam as tecnologias, podendo fazer a deslocalização. E temos um outro problema, os novos parceiros da UE, nomeadamente os de leste, tem uma inteligência mais barata que a nossa. O que isto quer dizer? Os quadros superiores, bem formados, ganham muito menos que os nossos. É neste ponto que os sindicatos terão que ter alguma flexibilidade e paciência para compreender a nossa situação macroeconómica. Deverão compreender que o aumento dos ordenados tem uma correlação positiva com o aumento do desemprego. Para leigos, isto quer dizer que, podemos hoje exigir altos aumentos. Mas implicará o encerramento de muitas empresas, com o consequente aumento do desemprego. O que eu estou a falar não é em inacção dos sindicatos. Estou apenas a pedir flexibilidade.